quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ho! Ho! Ho!

É Natal!
Nesta época sempre me recordo da infância. Nem sei por que, mas me vem na lembrança coisas que nem são tão bacanas assim. Sempre ouvia algumas histórias na escola (pública) de que no Natal, aparecia um velhinho bondoso de barbas compridas e brancas, e que deixaria um presente bem bonito no sapato da gente ou na janela. E eu, todo santo dia 25 de dezembro, acordava bem cedo, tirava a ramela do olho e conferia no meu chinelinho. Que nada, o bom velhinho não tinha deixado nada por lá. Mas não desistia, saía correndo até a janela do quarto para quem sabe, estaria lá meu lindo presente. Também nécas de catibiriba. O velhinho filho da mãe realmente não tinha me colocado na lista dele. E assim era também com meus outros oito irmãos. Ninguém fora visitado por esse velho gagá que mais um ano tinha nos dado o cano.
Para resumir a conversa. Meu primeiro presente de Natal foi comprado com meu próprio dinheiro, quando aos quatorze anos, comecei a trabalhar. Eu queria, sempre desejei uma bicicleta Caloi e então, finalmente, depois de vender milhares de metros de tecido na loja de um libanês que tinha uma loja na Rua São Paulo, em Londrina,juntei a grana e entrei nas Casas Pernambucanas para comprar minha Caloi. Mas eu era menor de idade e meu dinheiro dava apenas para a entrada. Então, cabisbaixa, fui pra casa, andando, claro, para economizar o dinheiro do ônibus e enquanto isso fui pensando se eu realmente ainda queria aquela bicicleta. Quando abri o portão de casa e estava pronta para pedir para meu pai comprar "fiado" no nome dele, desisti, porque meu pai, que acabava de se mudar para a cidade grande (antes morávamos num sítio da família, em Sertanópolis), certamente diria que não poderia "comprar no crediário" porque não tinha como comprovar renda. Meu pai não tinha carteira assinada. E mais uma vez, quando eu mesma já poderia bancar meu próprio papai noel, pelo menos em cinquenta por cento, também não deu. Dormi e sonhei com uma saia florida que havia ficado bem em mim. Então lá fui eu a procura da saia florida dos meus sonhos. Com meu dinheiro (do papai noel my self) comprei uma saia florida daquela pela canela, uma sandália rasteirinha e uma blusinha. Foi uma felicidade e eu novamente voltei à acreditar em papai noel. Ele mora em mim e, sempre que desejo algo, ao invés de ficar esperando esse papai noel das neves, invado minha própria carteira e vou à luta.